Tratamento osteopático em um paciente com autismo: Um relato de caso

Escrito por: Prof° Ft. Vitor Sabadoto Campos
Docente do IDOT

Introdução

As perturbações do espectro do autismo envolvem limitações nas relações sociais, na comunicação verbal e não verbal e na variedade dos interesses e comportamentos. O autismo é considerado uma perturbação do neurodesenvolvimento em que existe uma disfunção cerebral orgânica subjacente.

Os sintomas das perturbações do autismo podem ocorrer desde muito cedo, frequentemente se manifestando antes dos 3 anos de idade, e apresentar uma gama de sintomas comportamentais: “medo e confusão, pouca tolerância à mudança, dificuldade em compreender regras sociais, hiper-sensibilidade, desatenção, impulsividade, agressividade, fuga, comportamentos agressivos e autoagressivos”. As crianças e jovens com autismo evidenciam, por vezes, respostas incomuns a estímulos sensoriais, nomeadamente elevada resistência à dor, hipersensibilidade ao toque, reações exageradas a odores, fascínio com certos estímulos.

Como anotam Kuczynski et al., é importante que os profissionais de saúde estejam cientes da contribuição dos aspectos dinâmicos e familiares na origem de transtornos psiquiátricos nos elementos que constituem a própria família para, assim, os prevenirem.

Indivíduos portadores de transtornos invasivos do desenvolvimento (TID), como o transtorno autístico, têm prejuízos severos no desenvolvimento das habilidades de interação social, comunicação e presença de comportamento, interesses e atividades estereotipadas. A manifestação do transtorno normalmente ocorre nos primeiros anos de vida, frequentemente associado a algum grau de retardo mental. Aproximadamente, dois terços dessas crianças permanecem incapazes de viver de modo independente, e somente um terço pode atingir algum grau de autonomia pessoal quando adultos, o que implica em carga elevada de trabalho e preocupação permanente para o cuidador.

Tomando-se como foco a questão da saúde mental materna e a relação estabelecida com o filho desde o nascimento, estudo com 429 bebês brasileiros de até 20 dias apontou que filhos de mulheres com sintomas de depressão pós-parto apresentam maior risco de interrupção precoce do aleitamento materno, sugerindo que quadros depressivos interferem no estado afetivo materno e podem exercer influência na qualidade do vínculo entre a mãe e a criança.

Segundo Bruce Lipton, o ser humano é muito parecido com as células. Cada célula eucariótica contém um núcleo, possui uma estrutura funcional equivalente aos nossos sistemas nervoso, digestivo, respiratório, excretor, endocrinológico, muscular, esquelético, circulatório, tegumentar (pele), reprodutivo e até mesmo algo parecido com nosso sistema imunológico porém mais primitivo, que utiliza uma família de proteínas semelhantes a anticorpos do tipo “ubiquitina”.

Cada célula é um ser inteligente e que sobrevive por conta própria. Essas células inteligentes têm vontade própria e um propósito de vida. Procuram ambientes que sejam adequados à sua sobrevivência e evitam todos os que possam ser tóxicos e/ou hostis, da mesma maneira que nós humanos.

As células também são capazes de aprender com as experiências que vivenciam em seu ambiente e de criar uma espécie de memória que é passada aos seus descendentes.

Segundo Verny e Kelly(1981), “sem a menor sombra de dúvida os pais exercem grande influência sobre as características físicas e mentais de seus filhos. O sistema nervoso de fetos e crianças tem habilidades sensoriais e de aprendizado muito amplas e um tipo de memória que os neurocientistas chamam de memória implícita.

Há grandes evidências de que a programação da saúde e também do desempenho mental e físico de uma pessoa, em relação ás condições de sua vida no útero, é tão importante quanto a dos genes, ou até mais.

As crianças necessitam de um ambiente positivo para ativar os genes que tornam o cérebro saudável. Os pais agem como engenheiros genéticos mesmo após o nascimento de seus filhos.

Segundo alguns autores existe um comprometimento na qualidade acomodativa do sistema de meninge intracraniana, podendo ser um grande contribuinte para os problemas em crianças autistas. A dura-máter pode ser esticado através da utilização de técnicas cranianas manuais, aplicadas na superfície externa do crânio. Este trabalho proporciona um alívio da restrição imposta pela membrana no cérebro e nos ossos do crânio.

Objetivo foi mostrar a relação do meio ambiente com a evolução do paciente autista.

Foi encaminhado um paciente homem, 8 anos de idade, com diagnóstico de autismo.

História clínica

A mãe descobriu que estava grávida em um exame de rotina, devido a uma pequena dor no lado esquerdo e, por meio do ultrassom endovaginal. Não suspeitava, pois na época atribuiu alguns sintomas ao cansaço pelo ritmo de trabalho que se encontrava. A gravidez correu bem ate o sétimo mês e meio, quando teve contrações e ficou de repouso, tomando inibina. Sofreu muito com a inconstância do pai do J.F.N.S, que a deixava sozinha, sumia e voltava a procurar repetidas vezes. Morava sozinha, trabalhava e fazia mestrado e teve muita dificuldade emocional com a gravidez. O J.F.N.S. nasceu com 39 semanas, sem problemas, parto cesária, todas as funções normais, foi feito um ultrassom craniano porque o lado esquerdo da cabeça estava levemente amassado, mas o neurologista da maternidade disse que provavelmente seria pela posição no útero e recomendou que fosse feito com 3 meses para acompanhar o crescimento cerebral. Até os 3 meses e meio o amamentou e teve que deixar para voltar a trabalhar. Com 4 meses foi feito um ultrassom, com resultado de acúmulo de líquor nos espaços dos ventrículos, mas nada que precisasse colocar válvula para drenar e que apresentasse atrofia cerebral. Foram notando que ele não respondia aos estímulos e não tinha comportamentos normais da idade, não repetia gestos, não rolava, tinha o pescoço sempre caído, e começou a fazer todos os exames possíveis. Até um ano de idade, ele morou com os avós no interior, e a mãe em São Paulo, por causa do trabalho e do mestrado, porém a mãe viajou todo final de semana para vê-lo. Quando ele fez um ano, voltou a morar com a mãe, onde frequentou uma creche (muito importante para o seu desenvolvimento) e algumas aulas de fisioterapia ( não eram regulares por causa de condições pessoais). Em São Paulo, pode realizar todos os exames (BERA, oftamológico, cromatografia de aminoácidos, eletroencefalograma, ressonância magnética cerebral, cárdico, refluxo e genético) e também consultou vários neurologistas, geneticistas, mas nenhum diagnóstico foi dado. Com 6 anos, começou a usar medicamento, prescrito por uma psiquiatra infantil devido a iniciação na escola regular. Falava algumas palavras, manifestava poucos seus desejos. Hoje esta sob os cuidados de outra psiquiatra infantil que também modela os medicamentos de acordo com as características que o J.P. apresenta.

Métodos

O tratamento foi realizado com a Osteopatia, sendo feita intervenções cranianas e informativas na mãe e no filho. Sempre visando melhorar o meio ambiente onde vive, tentando melhorar suas percepções sobre todo o seu espaço.

Resultados

Relatos da mãe: Em um ano de tratamento com a osteopatia, percebi uma maior independência emocional no J.F.N.S. em relação a minha presença. Ele precisava sempre que eu estivesse dando atenção para ele e hoje, já consegue ficar mais tempo com atenção em outras situações. Nas primeiras consultas, quase não vi o Vitor, pois o João não me deixava “respirar” para falar com ele e hoje, após um ano, o João faz a terapia sem mim e ainda convida o Vitor para entrar na sala. A fala teve progresso na junção das palavras, formando frases e também passou a entender mais as ordens e com isso executa mais o que pedimos. Toma mais iniciativa para buscar um dialogo, como apontar algo ou falar um nome ou lugar e ai, continuamos com ele, dando elementos para ajudá-lo a raciocinar. A maior descoberta com a terapia foi a de que suas ações são muito influenciadas pelos sentimentos das pessoas que o cercam e que ao contrario do que se fala sobre o autismo, hoje acredito que o autista,  não é alguém que vive em seu mundo, mas alguém que vive o mundo dos outros, de tanta sensibilidade que possui, e precisa identificar sua individualidade.

Análise do terapeuta: Nas primeiras sessões foi diagnosticado uma dificuldade imensa da sua individualidade, onde não conseguia ficar sem a atenção da mãe e a mãe sem a atenção do filho. A mãe foi estimulada a não tomar o contato de olhar e apenas se concentrar na conversa do terapeuta (sendo muito difícil pra ela), quando ela conseguiu fazer de forma natural, o J.F.N.S melhorou. As sessões variavam conforme ele deixava realizar as técnicas cranianas. Quando tinha alguma alteração (esterótipos diferentes, comportamental, visceral, entre outras), era questionado como estava seu ambiente familiar, e foi tornando um pouco mais visível que quando ocorria algum stress no ambiente, mesmo ele n sabendo da situação, ele se alterava.

Conclusão

Conclui-se que a evolução do paciente pode depender muito do seu meio ambiente, mas deve ser feitos mais estudos relacionando o ambiente e os efeitos no corpo.

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