Reflexos primitivos e sua importância clínica

Escrito por: Prof° Ft. Anna Cláudia Lança

 

Quando uma criança nasce, deixa o entorno protetor e brando do útero para em um mundo, onde se vê “assaltado” por uma quantidade esmagadora de estímulos sensoriais. Há um intercâmbio do mundo do equilíbrio por um mundo caótico; deixou a qualidade morna pelo calor e frio. O alimento automático já não está disponível e o bebê deve começar a participar do ato de alimentar-se; já não fornece oxigênio do sangue de sua mãe, deve respirar por si mesmo e deve começar a buscar satisfação das suas próprias necessidades.

Para sobreviver, é privilegiado por um conjunto de reflexos primitivos concebido  para assegurar a resposta imediata no seu novo entorno e as suas necessidades.

Os reflexos primitivos são movimentos automáticos, estereotipados, dirigido desde o tronco do encéfalo e executados sem a implicação cortical.

São essenciais para a sobrevivência dos bebês nas suas primeiras semanas de vida e dá a formação rudimentar em muitas das habilidades voluntárias posteriores. Porém, os reflexos primitivos deveria ter uma vida limitada depois de ajudar o bebê sobreviver seus primeiros meses de vida deveriam ser inibidos pelos centros superiores do cérebro (gânglios basais).

Assim permitir que se desenvolvam estruturas neurológicas mais sofisticadas e que o bebê tenha controle sobre suas respostas voluntárias.

Então, os reflexos primitivos surgem no útero materno, estão presentes no nascimento e deveriam ser inibidos nos seis a doze meses de idade.

O CÉREBO TRIÚNO

O científico americano Paul MacLean, estudou o desenvolvimento do cérebro nos répteis, mamíferos e seres humanos. Segundo o cérebro humano é composto de três capas que rodea o tronco encefálico.

Segundo MacLean o tronco encefálico é a parte do chassis nervoso, que também inclui a medula espinhal. As três capas do cérebro triúno rodeiam o tronco encefálico como capas de cebola.

Ao lado do tronco encefálico está o cérebro do réptil, que se refere as novas partes do cérebro dos répteis desenvolvidos. Nos humanos, o cérebro reptiliano, corresponde ao gânglios basais, cujas funções são:

- Controlar os reflexos posturais, ou seja, nossa habilidade de estar em pé (bipedestação), caminhar, manter nosso equilíbrio.

- Inibir os reflexos primitivos que são padrões de movimentos inatos, estereotipados controlados pelo tronco do encéfalo.

- Regular o nível de atividade da criança

Por cima do cérebro reptiliano, está o cérebro do mamífero, ou o sistema límbico, que controla entre outras coisas, nossas emoções, a memória e a aprendizagem.

A capa mais externa é o néo-córtex ou o cérebro humano, os sinais dos órgãos dos sentidos, devem alcançar o neo-cótrex, onde são processadas. Assim seremos conscientes do que se passa ao nosso redor e seremos capazes de atuar conscientemente. A parte frontal do néo-córtex , o córtex pré-frontal é crucial para as funções executivas, bem como:

- Atenção

- A planificação

- O juízo

- O controle dos impulsos

- O pensamento abstrato

- A capacidade de iniciativa.

O DESENVOLVIEMNTO DO CÉREBRO TRIUNO

Quando nascemos, todas as partes do cérebro triuno foram criadas, porém, não funcionam corretamente. Para que todas essas partes possam funcionar como uma unidade, deve se desenvolver e unir-se umas as outras através do crescimento de ramificações de células nervosas e a mielinização das fibras nervosas. Para ocorrer esse desenvolvimento no cérebro deve-se obter estímulos dos sentidos.

Os sentidos que primeiro se desenvolvem no feto e coloca-se em andamento a maior parte das impressões sensoriais são:

- O sentido vestibular

- O sentido proprioceptivo ou cinestésico

- O sentido do tato

Esses sentidos desempenham um papel decisivo no desenvolvimento do feto e do recém nascido.

O sentido vestibular registra os movimentos da cabeça e o impacto da gravidade. No feto o sentido vestibular é estimulado pela gravidade seus próprios movimentos da cabeça e os movimentos da mamãe. Esse sentido está completamente desenvolvido no sexto mês depois da concepção, por tanto, o bebê recém nascido com bom desenvolvimento do sentido vestibular também é um bom nadador.

Quando o feto começa a se mexer, está estimulando o sentido proprioceptivo ou cinestésico. O feto estira e flexiona seus brações e suas pernas, gira sua cabeça, desenvolvendo o sentido proprioceptivo.

Quando o bebê se move e toca no ventre de sua mãe se estimula o sentido tátil.

MOVIMENTOS NECESSÁRIOS PARA O AMADURECIMENTO CEREBRAL

Os movimentos rítmicos espontâneos do bebê são fundamentais para o amadurecimento do cérebro.

Para que todas as partes do cérebro triúno possam funcionar corretamente como uma unidade, devem se desenvolver as ramificações neuronais e a mielinização das fibras nervosas.

Isso se consegue através dos movimentos rítmicos que fazem os bebês.

É necessário que tocamos o bebê, que o abraçamos, mexamos, deixamos se mover livremente, assim dessa maneira, desenvolverá um bom tônus muscular.

OS REFLEXOS PRIMITIVOS E SUAS REPERCURSÕES CLÍNICAS

Os reflexos primitivos se integram mediante a repetição dos padrões dos reflexos, realizando movimentos espontâneo rítmicos infantis.

  1. Reflexo Tônico Labiríntico do Pescoço (RTLP)

 O RTLP ajuda a se adaptar-se as novas condições gravitacionais depois do nascimento.

É o reflexo que dá oportunidade de praticar o equilíbrio do tônus muscular e da propriocepção.

Repercussões Clínicas: Se o reflexo tônico labiríntico do pescoço não se integra, o efeito será que cada vez que levar sua cabeça para frente ou para trás, irá repercutir no tônus muscular e comprometerá o equilíbrio

RTLP anterior

- Dificuldade para levantar a cabeça

- Musculatura do pescoço fraca

- Postura “encurvada”

- Problemas no funcionamento dos músculos oculares (podendo levar ao estrabismo)

- Problemas de equilíbrio (sobretudo para baixo)

RTLP posterior

- Músculos tensos, tendência de caminha nas panturrilhas

- Problemas de equilíbrio sempre que vai olhar para cima

- Problemas de coordenação e problemas visuais

  1. Reflexo de Moro

São uma série de movimentos rápidos produzidos como resposta a um estímulo repentino. É uma reação involuntária à ameaça. Seu mecanismo de sobrevivência nos primeiros meses de vida é de alertar, pedir e buscar ajuda. Também tem um papel importante no mecanismo de respiração do bebê, facilita o primeiro suspiro de vida no nascimento e ajuda abrir as vias aéreas.

Repercussões Clínicas: hipersensibilidade a um ou vários estímulos dos canais sensoriais (vestibular, táteis, auditivo, visuais, ou proprioceptivos) causando reações em excesso.

- Hipersensibilidade à luz

- Hipersensibilidade ao som

- Problemas de equilíbrio

- Hipersensibilidades às mudanças rápidas de direção

- Baixa resistência. O Moro ativo, a criança fica com uma resposta de luta e fuga durante a maioria do momento de vigília, a criança se esgota. Essa atividade reflexa estimula o sistema nervoso simpático e dois hormônios do estresse: o cortisol e adrenalina.

  1.  Reflexo Espinhal Galant

Esse reflexo ajuda o bebê a passar pelo canal do parto.

Repercussões Clínicas: Quando esse reflexo não foi integrado, pode causar tônus baixo na região baixa da coluna e tensões nas pernas.

- As crianças com esse reflexo ativo muitas vezes não para quieta, “hiperativas”, as roupas justas, ou cintos, podem desencadear esse reflexo e fazer com que a criança se agite

- Enurese

- Escoliose (reflexo ativo somente de um lado)

- Dor na parte baixa da coluna e rotaçãoo da pelve

  1. Reflexo Espinhal Pereze

O reflexo espinhal Pereze ajuda o desenvolvimento do reflexo de Landau, o RTSP e ajuda o bebê a se levantar com quatro apoios entre a idade de 6 a 9 meses.

Repercussões Clínicas: O reflexo espinhal pereze não integrado

-  A criança ou adulto gosta de estar com a coluna sempre segura com encosto da cadeira.

- Baixo tônus muscular em toda coluna

- Tensões musculares principalmente na região torácica

- Pelve rodada

- Inquietudes na crianças

  1.  Reflexo Palmar

Esse reflexo se desenvolve no útero, cuja característica é de agarrar. Além disso, Os movimentos de amassar as mãos ao mesmo tempo que o bebê está chupando e mamando em sua mãe.

Repercussões Clínicas: os efeitos desse circuito conecta a palma da mão com os movimentos da boca .

- Coordenação motora fina pobre

- Comprometimento na fala e na pronúncia

- Dificuldade na escrita, usando sempre o movimento da boca e da língua para um dos lados.

- Pouca destreza manual, falta de agarre com pinça

  1.   Reflexo de Babinsk

Esse reflexo é de suma importância para preparar o pé para andar, influenciando na habilidade para mover os pés no solo, mas também das pernas, do quadril e da coluna lombar.

Repercussões Clínicas: As crianças que não desenvolvem o reflexo de Babisnk apresentam sobretudo:

- Os pés planos, são lentos e não gostam de andar.

- Andam com a parte interna dos pés e desgastam essa parte dos sapatos

- Entorses frequentes de tornozelos

Quando o reflexo se desenvolve, porém não integra, a criança tem a tendência:

- Andar com a parte externa dos pés e desgastar esse lado dos sapatos

- Nos adultos quando o reflexo se ativa ao caminhar, desgasta a parte lateral dos calçados e em cima do primeiro dedo que se levanta.

  1.  Reflexo de Landau

Quando esse reflexo está integrado, a criança consegue levantar a cabeça em decúbito ventral sem elevar os pés do solo.

Esse reflexo é importante para integrar o RTL anterior, já que ajuda aumentar o tônus muscular de toda coluna e do pescoço quando está de boca para baixo.

Quando a criança é capaz de elevar o peito em decúbito ventral e com os braços livres, elas passam a conhecer coisas que levará até a boca. Isso ajudará o desenvolvimento da visão em foco e a visão tridimensional

Repercussões Clínicas: Quando o reflexo de Landau não se desenvolve adequadamente, o RTL não integrará, a criança ficará com:

- Baixo tônus muscular especialmente no pescoço e na coluna

- Dificuldade para levantar sua cabeça em decúbito ventral

- Dificuldade de nadar.

Se o reflexo de Landau foi desenvolvido, porém não integrado, a criança ou adulto será:

- Fraco na parte baixa do corpo

- Tensões nos membros inferiores, com joelhos recurvatos, podendo levar problemas nos joelhos

- Difícil cooperação entre a parte inferior e superior do corpo, já que quando a cabeça se inclina para trás as pernas se estiram.

  1.  Reflexo Tônico Assimétrico Cervical (RTAC)

O movimento da cabeça do bebê para um lado provocará extensão do braço e da perna do mesmo lado que a cabeça está girada e flexão do braço e da perna do lado oposto.

Esse reflexo não só ajuda durante o parto que o reforça, mas também é crucial para a sobrevivência durante os primeiros meses de vida, o RTAC deve evitar que o bebê gire a beça para o colchão quando colocada de boca para baixo.

DeMyer (1980) descreve que o RTAC como “a primeira coordenação oculomanual que ocorre”.

    Repercussões Clínicas: O RTAC pode comprometer o equilíbrio quando move a cabeça de um lado para o outro.

- Movimentos homolaterais, no lugar do modelo da marcha cruzada (o braço direto se mexe junto com o passo da perna direita)

- Dificuldade para cruzar a linha média

- Dificuldade do movimento de perseguição

- Lateralidade mal definida

- Escrita pobre e pouca expressões de ideias no papel.

  1.  Reflexo Tônico Simétrico Cervical (RTSC)

O RTSC não pertence aos reflexos primitivos (presente no nascimento) nem aos reflexos posturais (permanência por toda vida). Ajuda a criança desafiar a gravidade, ajuda adotar a posição de quatro apoios e utilizar as metades do corpo de forma independente. Os movimentos de balanceio das mãos e dos joelhos antes de aprender engatinhar, inibe o Reflexo Tônico Simétrico Cervical, sincronizando o funcionamento do sacro e occipital, passando pela seguinte fase (engatinhar).

Capute (1981), sugere que não é um reflexo verdadeiro, mas uma fase crucial do reflexo RTL. Além de ajudar a integrar o RTL, já que reforça o tônus muscular da coluna e do pescoço, também é  importante para uma postura corporal correta,  faz também uma ponte entre a seguinte fase da locomoção: arrastar-se com as mãos e os joelhos.

Blythe 1992, sugere que o RTSC ajuda completar a sequência para formação dos olhos. Dobrar as pernas como resultado da extensão da cabeça, o bebê fixa os olho a longa distância. Dobrar os braços como resposta da flexão da cabeça (cabeça mais baixa que a linha média) automaticamente levará o bebê focar a curta distância.

Repercussões Clínicas: O RTSC não integrado causa uma má postura corporal,

- A criança se senta na posição em “W”.

- Podem ter problemas acomodação e de foco de longe e de perto.

- Problemas de visão binocular e acomodação principalmente na leitura.

- Má coordenação oculomanual

- Lento para copiar textos

- Podem prestar pouca atenção como resultado do incômodo que sentem ao estar sentados.

- Rotação da pelve no adulto e na criança

 IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE DOS REFLEXOS PRIMITIVOS

Os reflexos primitivos são movimentos rítmicos automáticos estereotipados controlados no tronco encefáfico. Esses reflexos controlam a atividade motora do feto e do recém nascido e devem ser inibidos e integrados para que desenvolva a habilidade motora adequada na criança.

O bebê integra os reflexos primitivos ao realizar movimentos rítmicos que repetem o padrão dos diferentes reflexos.

Quando o bebê não é capaz de inibir seus reflexos primitivos no momento oportuno, irá atrasar o desenvolvimento motor e consequentemente atrasará a maturidade cerebral.

Isso poderá ser determinante para o futuro da criança, sendo a causa principal de alterações posturais importantes , habilidades motoras comprometidas , distúrbios de cognição e aprendizagem bem como problemas emocionais.

A compreensão e tratamento desses reflexos tem uma importância clinica fundamental para resolução de vários problemas que até então eram impossível para um osteopata. A partir dessa ferramenta o osteopata amplia sua capacidade de  compreensão da origem de inúmeras patologias , principio básico e característica marcante desse profissional.

A integração desses conhecimentos a filosofia osteopática é uma importante peça de um grande quebra cabeça que visa encontrar as causas e não se ater em consequências, que é a essência mais pura de um osteopata.

REFERÊNCIAS BIBLIOFRÁFICAS

GODDARD, S., Reflejos, Apredizaje y Comportamiento. Vida Kinesiologia ediciones. 2015.

BLOMBERG, H., Terapia de Movimiento Rítmico, CUPI-DITAS DISCEND AB”, 2008.

JUEZ, M. J. L., Por qué yo no puedo? C.O.N. NEOCORTEX – MADRID, 2012.

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