Osteopatia no tênis de alto rendimento

Escrito por: Danilo Augusto Ninello | Colaboração: Isadora Lessa Moreno

No tênis profissional, durante toda a temporada de competição, ocorre uma intensa solicitação do corpo. Em alto nível, tenistas costumam competir cerca de 30 a 40 semanas durante um ano.

Nesse período, o atleta intercala viagens com competições, que muitas vezes ocorrem em dias seguidos, treinamentos técnicos e físicos. Fora desse período, costuma realizar uma pré-temporada intensa que dura cerca de um mês.

Essa demanda da modalidade esportiva exige cuidados especiais de uma equipe multidisciplinar que se encarrega desde o planejamento até a execução do treinamento técnico, preparo físico, nutricional e mental, sem descuidar da prevenção e tratamento, que ajuda na recuperação do atleta.

A Osteopatia se destaca nesse ambiente esportivo e vem ganhando cada vez mais espaço. Seguramente, o Osteopata é um profissional que pode ajudar o atleta a obter uma melhor performance.

Devemos considerar que um atleta está constantemente exposto a um meio ambiente recheado de traumas físicos. No tênis, destacam-se os traumas por repetição, uma vez que esse esporte exige precisão e repetições sistemáticas de golpes. Por não apresentar contato direto com o outro oponente, traumas agudos e fratura são raras.

Qual o comportamento mecânico do tênis?

O tênis impõe muita carga aos membros inferiores. Por ser um esporte que os pontos costumam durar alguns segundos e são jogados sempre em alta intensidade, o atleta exige de seu corpo muitos movimentos explosivos. Ele necessita de agilidade, coordenação e realiza freadas bruscas, que são absorvidas pelas articulações do tornozelo e pé, joelho, quadril e coluna lombar. A constante movimentação em quadra exige adaptações dinâmicas do tornozelo e pé, além de uma musculatura preparada para suportar tais deslocamentos.

Constantemente, o atleta flexiona e estende os joelhos para chegar às bolas e golpear, o que exige força e potência da musculatura da coxa. O quadril recebe também muita carga nas freadas e serve muitas vezes de ponto fixo para o giro do tronco acontecer.

A coluna como um todo trabalha muito em todos os planos do espaço, principalmente na rotação, durante os golpes de fundo de quadra, e na flexão e látero-flexão no saque. O ombro é muito exigido, principalmente durante o saque, e as estruturas que envolvem o cotovelo e punho são responsáveis por gerar potência e precisão no golpe.

Em ambientes de diversão de iniciantes ou amadores é muito comum encontrarmos hipermobilidades e, consequentemente, sintomas em estruturas do cotovelo. Uma biomecânica inadequada dos golpes de fundo de quadra, golpes realizados com pouca ajuda dos movimentos do tronco e membros inferiores e falta de preparo da musculatura contribuem para uma alta incidência de dores nessa região.

 Já no esporte de alto nível, clinicamente observa-se uma grande incidência de sintomas na região da coluna lombar, quadril, joelhos e tornozelos. Em menor intensidade, verificam-se disfunções em ombro, cotovelo e punho.

Como a Osteopatia pode ajudar?

Se somarmos traumas físicos de repetição com a mecânica do esporte e a carga imposta a um atleta, concluímos que é importante que o Osteopata que trabalhe nesta modalidade domine técnicas estruturais do sistema musculoesquelético, visto que nesses atletas esse sistema acaba sendo porta de entrada para muitas dores, desequilíbrios e doenças.

Após períodos intensos de treinos e jogos, é comum o tenista apresentar dor lombar. Devemos nos atentar para constantemente liberar músculos do quadril como os glúteos, adutores, rotadores externos e psoas, que frequentemente estão espasmados. O tratamento desses músculos faz com que a coluna lombar não se torne hipermóvel e, no caso dos adutores, previne sobrecargas na região do púbis.

Principalmente em início de temporada, os atletas realizam treinos físicos intensos que exigem muito da musculatura do ombro e dorso. Devemos sempre nos atentar a possíveis bloqueios do tórax. Casos mais raros de bloqueios de costela podem acontecer após movimentos intempestivos do tórax.

Em agosto de 2015, durante as semifinais em Hamburgo, Rafael Nadal sofreu uma taquicardia. “Há alguns pontos que sentia um incômodo na zona do peito e nas costas e estava com muitas dificuldades para respirar. Optei por parar naquela altura. Felizmente o tratamento que me fizeram teve efeito imediato e consegui continuar e fechar o encontro”, relatou o atleta na coletiva de imprensa pós-jogo.

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Fonte internet: http://revistatenis.uol.com.br/artigo/rafael-nadal-sofreu-taquicardia-na-semifinal-de-hamburgo_13043.html#ixzz4Xvn1I4vK

Após treinos intensos, o atleta também pode durante uma sessão de Osteopatia receber estímulos parassimpáticos. Terapias que trabalham áreas do crânio e sacro estimulando o nervo vago podem melhorar o sono e a recuperação do atleta.

O Osteopata pode detectar também disfunções de elasticidade, contratilidade, tonicidade e excitabilidade dos músculos. Por meio de testes osteopáticos obtemos diagnósticos de grande valia. Junto com um preparador físico é possível direcionar melhor o preparo muscular do atleta.

Atuar sobre o sistema tônico postural também é papel do Osteopata. A promoção da estabilidade do atleta por meio de estímulos das entradas sensoriais como pés e olhos, revela-se crucial na melhora da performance do esporte. Na Li, ex-tenista profissional chinesa, e Novak Djokovic, tenista profissional sérvio, são bons exemplos de atletas de alto nível que se renderam ao trabalho de ajuste postural.

Recentemente o tenista Rafael Nadal, após ser vice-campeão do aberto da Austrália em 2017, relatou que lesões constantes nos joelhos o impediam de treinar em alta intensidade, o que acabou minando sua confiança em 2016. Com o conhecimento do sistema biológico, é possível que o Osteopata atue também reconhecendo no meio ambiente do atleta situações que podem limitar a evolução do esportista. Também com esse conhecimento é possível ampliar a consciência e trabalhar a percepção do atleta sobre vários aspectos que envolvem o jogo.

O que esperar do tratamento osteopático

Diante da exigência atual dentro do circuito mundial de tênis, é imprescindível a presença de um Osteopata que acompanhe o atleta. Atualmente, não há espaço para protelar a presença de uma dor. Auxiliar uma recuperação eficaz também permite que o atleta treine melhor e, consequentemente, se fortaleça física e mentalmente.

O tratamento osteopático é importante, pois:

  • elimina e/ou reduz dores pós-treinos: as técnicas osteopáticas visam eliminar disfunções e permitir fluidez aos tecidos, ajudando na redução de edemas e melhoras da circulação;
  • estimula uma recuperação mais rápida e de qualidade: técnicas que estimulam o equilíbrio do sistema nervoso autônomo podem relaxar o atleta;
  • elimina as disfunções neuromusculoesqueléticas recorrentes;
  • elimina as tensões fasciais adversas;
  • ajuda na propriocepção ocular;
  • promove a estabilidade das entradas sensoriais do sistema tônico postural;
  • amplia a consciência e melhora a interação do atleta com seu meio biológico.

A atleta de tênis profissional brasileira, Gabriela Vianna Cé, que já ganhou oito títulos em simples e seis em duplas, comenta sua experiência com a Osteopatia: “Há três anos comecei a me tratar com a Osteopatia e minha vida melhorou muito, tanto em relação à qualidade em geral quanto à minha disposição e fatores físicos. Nunca mais tive qualquer lesão e isso ajuda muito na vida de quem precisa de seu corpo diariamente como ferramenta de trabalho. As técnicas que trabalhamos na Osteopatia são fundamentais para performance, pois alavancam a ter semanas de competições duras, viajando por bastante tempo, e saudáveis, sem ter grandes perdas físicas. Acredito muito na Osteopatia tanto como cura física e mental, por isso tento levar os aprendizados do Danilo Ninello no meu cotidiano para que haja uma melhor qualidade de vida”.

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O Osteopata é, atualmente, o profissional mais capacitado a identificar e tratar incapacidades funcionais do sistema musculoesquelético, permitindo que o corpo fique livre de bloqueios que impeçam a cura e o alto rendimento. Também é capaz de organizar desequilíbrios posturais que, em excesso, podem prejudicar a performance do atleta.

A busca pela excelência da modalidade exige a presença desse profissional no esporte.



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