Norma Nosaki: a beleza de ser um eterno aprendiz

Norma Nosaki: a beleza de ser um eterno aprendiz


Referência na Osteopatia, ela ressalta a importância de buscar conhecimento e se manter atualizada profissionalmente

Entrevista feita a revista O OSTEOPATA

Revista O Osteopata - Como era sua vida profissional antes da Osteopatia?

Nosaki - Já era formada em Fisioterapia há 15 anos, tinha uma clínica com sete a oito fisioterapeutas que trabalhavam com reabilitação em ortopedia, terapia manual, etc. e atendíamos de 80 a 90 pacientes/dia. Havia feito vários cursos, mas estava frustrada, pois fazia os tratamentos e em muitos casos os pacientes não evoluíam, faziam 10, 20, 60 sessões e não melhoravam muito, mesmo a nossa clínica sendo considerada de referência. Até cheguei a pensar em ir para o Japão!

Revista O Osteopata – Como e quando foi seu primeiro contato com a Osteopatia?

Nosaki - Foi por um folder de um workshop em Osteopatia com o Prof. Antônio José Docusse Filho (Zezé), em Londrina (PR). Como ele era de Presidente Prudente (SP), eu sou prudentina e tinha meus pais na cidade, então conseguiria fazer o curso. Liguei para saber como proceder. Ele me propôs organizar o curso aqui em Maringá (PR). Fiquei muito surpresa, mas aceitei, apesar de nunca ter organizado um curso na vida, nem mesmo o conhecia pessoalmente. Depois de vários meses, conseguimos fazer uma turma de 20 alunos, foi no Hotel Deville. Logo no início, ele começou a falar de Osteopatia, e eu pensei: o que ele está falando? Não estou entendendo nada! Mas tudo fazia sentido e foi maravilhoso.

Revista O Osteopata – O que a Osteopatia representa para você?

Nosaki - Conhecer a Osteopatia foi um divisor de águas na minha vida, principalmente profissional. Tudo mudou em minhas avaliações e condutas de tratamento e me deu uma diversidade de possibilidades de poder ajudar com mais precisão os meus pacientes.

Revista O Osteopata – Durante a sua carreira, quais foram as maiores dificuldades pelas quais você passou?

Nosaki - Foram muitas! Comecei o curso com 34 anos, tinha meus filhos pequenos, o Rafael tinha 9 anos e o Gabriel 3 anos. Atendia na clínica o dia todo, cuidava da logística da casa e começava a estudar lá pelas 22h/23h até às 2h/3h da madrugada, todos os dias e a cada 15 dias viajava para Prudente para fazer o curso. Havia esquecido grande parte da anatomia, fazia somente “protocolos de atendimento”. Tive que aprender tudo de novo. Também atendia convênios, não tinha condições financeiras nem para pagar o curso, quem pagou no início foi o meu marido Luiz. Mas valeu a pena, foi um dos melhores investimentos que fizemos.

Revista O Osteopata – Quais foram as suas maiores realizações?

Nosaki - Primeiro foi me casar com o Luiz, escolhi o parceiro certo, graças a Deus. Passar no vestibular de Fisioterapia na Unesp (antigo IMESPP), estudando os dois últimos anos à noite no IE Fernando Costa (escola pública) para ajudar meus pais na quitanda. Ter meus filhos, que são seres incríveis. Conhecer a PNL por meio do Dr. Jougi Takahashi, fazer o curso de Osteopatia no Idot e Escola de Madri. Ter um apartamento confortável e poder realizar pequenos sonhos conhecendo lugares incríveis pelo mundo: Estados Unidos, Paris, Barcelona, México e outros.

Revista O Osteopata – Sabemos que foram muitos, mas deve ter alguns pacientes que mais te marcaram na sua trajetória. Você pode nos contar de alguns?

Nosaki - Nossa! Foram tantos e a memória já não é a mesma (risos), mas sempre me lembro de uma paciente com infertilidade. Ela tinha um ciclo regular de 33 dias, na terceira sessão, que na época era semanal, e com a Osteopatia, ela ovulou dois dias antes da sua menstruação e conseguiu engravidar. Eu havia falado para ela que, geralmente, após dois dias do tratamento poderíamos alterar o seu ciclo, pois o corpo estaria se regulando, isto ocorreu e foi comprovado com o exame morfológico. Após dois anos, a paciente me procurou para engravidar e depois de duas sessões engravidou novamente. Ela deu o nome do primeiro filho de João Gabriel, em homenagem ao meu filho Gabriel para que eu sempre me lembre dela. Foi emocionante.

Revista O Osteopata – Hoje, você influencia muitos jovens aprendizes de Osteopatia, porém um dia você foi influenciada, poderia nos dizer quais foram suas influências profissionais e também pessoais?

Nosaki - A pessoa que mais me influenciou e me influencia profissionalmente até hoje é, sem sombra de dúvida, o meu professor Dr. Antônio José Docusse Filho DO, meu querido Zezé. Desde a primeira aula fiquei admirada com o seu conhecimento e como ele falava da Osteopatia, isto me fascinou e me inspirou a superar as dificuldades para aprender. Devo a ele tudo e pela base que me deu. Tive ótimos professores na Escola de Madri, mas como o Zezé, não (risos). Hoje, tenho o privilégio de ter grandes colegas/professores que compartilham seus vastos conhecimentos, é muito legal. Também fiz um curso de PNL com Dr. Jougi, que me deu muita base em autoconhecimento e sobre como entender os pacientes, isto me ajuda muito.

Revista O Osteopata – Como você vê o futuro da profissão de osteopata?

Nosaki - Primeiro tenho visto o quanto a Osteopatia tem crescido, não só no Brasil, mas no mundo. Os pacientes estão em busca de tratamentos mais resolutivos, estão mais informados (graças ao Dr. Google – risos), mais céticos com os tratamentos convencionais e mais abertos a tratamentos menos invasivos, que lhe proporcionem uma melhora maior. Estão mais adeptos a melhora do seu estado físico, emocional e mental. Isto se encaixa muito com a Osteopatia.

Revista O Osteopata – Podemos ser um pouco indiscretos? Porém, seria legal aos futuros osteopatas terem noção até onde eles poderão chegar com a Osteopatia, então pergunto: quanto você cobra por uma sessão de Osteopatia?

Nosaki - Não tem problema: cobro R$ 450,00 a avaliação e R$ 350,00 a sessão (por enquanto). Acho esses valores justos pelo investimento que faço em minha profissão.

Revista O Osteopata – Quantos pacientes você atende por dia?

Nosaki - Atendo de 10 a 12 pacientes/dia normalmente, minha agenda dificilmente está vazia, pois tenho lista de espera longa, atualmente os pacientes novos estão aguardando de seis a oito meses para serem atendidos.

Revista O Osteopata – Você lembra quanto ganhava com uma sessão de fisioterapia?

Nosaki - Faz tempo, mas não me esqueci, o procedimento que pagava mais era R$ 15,00 e o que pagava menos era R$ 7,90, para serem pagos após 60 dias e descontados os impostos. Não é à toa que eu não conseguia pagar o curso de Osteopatia no começo (risos).

Revista O Osteopata – Você acredita que os osteopatas possam ter o mesmo nível que o seu? O que eles precisam fazer para se tornar uma Norma?

Nosaki - Não acredito que possam ter o mesmo nível que o meu, acredito que possam ser muito melhores que eu. Isto é sério. Não precisam se tornar uma Norma, tornem-se um profissional comprometido, honesto consigo e com seus pacientes, busquem conhecimento para poder dar o melhor de si e ajudar o seu paciente, faça com amor e dedicação aquilo que se comprometem a fazer, busquem o “seu jeito” de cuidar do seu paciente. Para quem me pede, posso dar três conselhos: 1. Profissionais têm muitos, bons têm poucos, 2. Dinheiro não é meta, é consequência, 3. Não existe sorte ou azar, tudo é uma questão de preparação (estudar) com oportunidade (paciente): se você tiver preparado e a oportunidade aparecer, terá sorte, mas se não tiver preparado e a oportunidade aparecer, terá azar. Como diz meu amigo Prof. Marcial, conhecimento você aprende, sabedoria é quando você sabe aplicar o seu conhecimento. Sejam osteopatas sábios. Hoje, sei que meus pacientes têm em mim aquilo que é de melhor numa relação: confiança.

Revista O Osteopata – Você é casada, tem dois filhos e um especial de quatro patas, fale-nos um pouco sobre eles.

Nosaki - Sou casada com o Luiz K. Nosaki há 30 anos, mas namoramos há 36 (risos), ele é meu companheiro, melhor amigo, porto seguro, que me mostra as verdades, é meu grande amor, sem ele não teria me tornado a profissional e a pessoa que sou. Todo o suporte para que eu estudasse e fizesse os cursos foi ele quem deu e me dá até hoje. O Rafael tem 26 anos e o Gabriel 20 anos, são os meus anjos (risos), me ensinaram a ser mãe e uma pessoa melhor, nunca reclamaram das minhas ausências; pelo contrário, admiram muito a mãe que tem. São pessoas incríveis, pessoas de caráter e virtudes admiráveis. Para mim, é uma honra ser a mãe deles. O Gohan é o nosso “filhotinho”, é um schnauzer que veio há três anos para alegrar a casa, é um safadinho lindo (risos).

Revista O Osteopata – Além da Osteopatia, o que você gosta de fazer?

Nosaki – Viajar! Adoro conhecer lugares e culturas diferentes, tenho uma rodinha nos pés, acho que tenho vocação para ser guia turística, diplomata, dona de agência (risos). Também gosto de cozinhar, assistir filmes, várias coisas, sou um pouco inquieta!

Revista O Osteopata – O que mais te preocupa hoje?

Nosaki - Além da saúde do meu pai, o que pode acontecer com o mundo (não é resposta de miss, risos), as pessoas estão perdendo os valores, os vínculos afetivos, a ausência de sentimentos pelo ser humano, isto me preocupa, pois nós estamos inseridos neste meio.

Revista O Osteopata – Qual a sua maior frustação?

Nosaki - Lutar contra a balança, mas nem sempre ganhar (risos).

Revista O Osteopata – Qual foi a sua maior alegria?

Nosaki - Foram muitas, pois acho que não temos a felicidade, mas momentos felizes. Além daquelas que foram citadas, uma das minhas maiores alegrias foi ter obtido o meu título de DO (Diploma de Osteopatia) pelo Idot em dezembro de 2015. Tive a oportunidade de defender o título antes, mas Deus quis que fosse no Idot.

Revista O Osteopata – Um conselho para os alunos de Osteopatia.

Nosaki - Preparem-se, estudem com comprometimento e foco, não vão para o curso pensando quanto irão ganhar financeiramente, e sim o quanto irão ganhar em conhecimento.

Revista O Osteopata – Um conselho para um osteopata já formado, mas que ainda está em dificuldades de se colocar.

Nosaki - Prepare-se, sua oportunidade pode estar no próximo paciente. No início, não tinha essa agenda. Quando não tinha paciente, ficava estudando no consultório, nunca coloquei propagandas para captar pacientes, quem te indica pacientes é o seu paciente. Além do conhecimento, saiba como lidar com as suas emoções e as de seus pacientes. Você pode ser ótimo tecnicamente, mas se não souber lidar com seu paciente, acaba aí seu tratamento. Não tenha pressa em chegar ao topo, tenha paciência em construir uma boa base.

Revista O Osteopata – Um conselho para um osteopata de sucesso.

Nosaki - Jamais deixe de aprender. Aprendi isto com o meu paraninfo da faculdade, Sérgio Guimarães, que nos colocou a música do Gonzaguinha que falava esta frase: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. Quando deixamos de aprender, estamos na soberba que sabemos tudo, é o primeiro passo para estagnar ou empobrecer o seu conhecimento. Vocês irão me ver sempre numa sala de aula como aluna e eu adoro (risos).

Revista O Osteopata – O que temos para o futuro, o que você espera? Planeja algo?

Nosaki - Profissionalmente, quero continuar fazendo cursos e sempre buscando o que a Osteopatia tem de melhor no Brasil e no mundo.  Vou continuar dando cursos até quando me solicitarem ou puder, pois me dá muito prazer. Pessoalmente, melhorar sempre, continuar buscando coisas que me acrescentem e que não me deixem passar a vida em branco.

 

Perfil Norma Nosaki

 

Revista O Osteopata - Um lugar que considera especial:

Nosaki - Minha casa.

 

Revista O Osteopata – Um filme favorito:

Nosaki - Gosto de todos os gêneros, até mesmo desenhos animados.

 

Revista O Osteopata – Um livro preferido:

Nosaki - Gosto de vários, mas destaco “Entre Parâmetros e Certezas da Avaliação Palpatória Osteopática”, do meu amigo Prof. Marcial Zanelli de Souza, PhD DO, que é muito bom, e “O Médico Quântico”, do Dr. Amit Goswami.

 

Revista O Osteopata – Algum esporte que gosta de assistir ou praticar?

Nosaki - Não tenho a preferência de assistir algum esporte em especial e atualmente pratico crossfit e ciclismo http://www.tadalafilfromindia.net/ .

 

Revista O Osteopata – Uma comida saborosa:

Nosaki - Brinco que meu estômago é eclético, mas gosto de bacalhau.

 

Revista O Osteopata – Uma bebida que te agrada:

Nosaki - Vinho, mas não bebo muito.

 

Revista O Osteopata – Para conviver bem com você, tem que ser:

Nosaki - Verdadeiro, respeitoso, ter valores e virtudes.

 

Revista O Osteopata – Se você tivesse que falar de uma pessoa, quem seria?

Nosaki - Meu pai! Ele me ensinou que a melhor herança que se deixa para os filhos é o conhecimento, isso ninguém tira deles.

 

Revista O Osteopata – Ator ou atriz, cantor ou cantora preferida?

Nosaki - Leonardo de Caprio e Meryl Streep.

 

Revista O Osteopata – Um osteopata que admira:

Nosaki - Andrew Taylor Still pelo contexto histórico e atualmente o Zezé.

 

Revista O Osteopata – O que faz no seu tempo livre?

Nosaki - Sempre encontro muitas coisas para fazer (risos).

 

Revista O Osteopata – Se tivesse que falar para a Norma, o que você diria?

Nosaki - A vida é uma página em branco, deixe a sua bem colorida com suas experiências.



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