Efeito de duas técnicas osteopáticas na capacidade vital e na configuração tóraco-abdominal – um estudo duplo cego randomizado

Escrito por:  Prof° Ft. Leonardo de Lima Souza

Introdução    

O presente estudo tem como objetivo avaliar a capacidade vital pulmonar através de um ventilômetro, com a realização das técnicas de thrust na 1ª costela e thrust na coluna torácica, como também a configuração tóraco-abdominal.

Foram selecionados 30 voluntários (19 F / 11 M) adultos saudáveis (ausência de doença pulmonar e dores na coluna vertebral) com idade entre 20 e 34 anos.

Volumes e capacidades pulmonares

A ventilação é o processo mecânico pelo qual o ar é inalado e exalado através dos pulmões e vias aéreas. Este processo rítmico ocorre de 12 a 20 vezes por minuto no repouso, com uma mudança de volumes e capacidades pulmonares durante o ciclo respiratório. Existem 4 volumes primários que não se superpõem uns aos outros: volume corrente (VC) 0,5 L, volume de reserva inspiratória (VRI), volume de reserva expiratória (VRE) e volume residual (VR). Além disso temos 4 capacidades: capacidade pulmonar total (CPT) entre 5,5L e 6 L, capacidade vital (CV) aproximadamente 4,5 L, capacidade inspiratória (CI) e capacidade residual funcional (CRF).

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Relações anatômicas

Foram selecionadas técnicas na coluna torácica e 1ª costela devido sua relevância na mecânica pulmonar e, consequentemente em sua função. A 1ª costela relaciona-se tanto mecanicamente por ser a costela “chave” do quadrante superior do tórax na inspiração, as demais costelas (2ª – 5ª) acompanham o movimento governado pela 1ª costela. Além disse relaciona-se diretamente com o gânglio cervical inferior (estrelado) e com o nervo ulnar (C7-T1).

Anatomicamente as vértebras C7-T1 e a 1ª costela relaciona-se fascialmente com os pulmões (cúpula pleural) através dos ligamentos: costo pleural, vertebro pleural e transverso pleural.

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A coluna torácica participa diretamente das funções primordiais do sistema respiratório que é a troca de gases (hematose). Os músculos motores da inspiração são os escalenos, diafragma e intercostais externos. A expiração normalmente é um processo passivo que não depende da ativação muscular, quando os músculos da inspiração relaxam após a contração, o volume intratorácico é naturalmente diminuído pela retração elástica dos pulmões, do tórax e do tecido conjuntivo dos músculos inspiratórios alongados.

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Estudo

Foram realizados além das 2 técnicas osteopáticas (thrust 1ª costela e dog torácica) uma técnica placebo onde solicitamos com o paciente em decúbito dorsal 5 inspirações e expirações.

Os voluntários entravam na sala, recebidos pelo examinador que coletava os dados da C.V através do ventilômetro (3 vezes – média). Logo após eram coletados a configuração tóraco-abdominal por uma fita métrica (axilar, xifóide, umbilical). Em seguida o examinador se retirava da sala para que o (examinador 2) realizasse a técnica. Foi escolhida aleatoriamente pelo voluntário, sendo assim ambos não tinham conhecimento do que foi realizado pelo outro.

Como as técnicas foram selecionadas aleatoriamente, dos 30 voluntários 6 foram o controle (ins-exp), 11 dog torácica, 13 thrust para superioridade da 1ª costela. O objetivo o trabalho foi analisar a influência dessas técnicas na capacidade vital, e não em situações de dor ou disfunções; sendo assim, as técnicas foram realizadas sem avaliações ou testes específicos que em uma situação terapêutica seriam imprescindíveis.

Resultados

Segue abaixo os resultados obtidos na capacidade vital (Ventilômetro) com a realização das seguintes técnicas:

 

Técnicas

Ventilômetro – Pré

 Ventilômetro – Pós

 %  Média

 1ª Costela

2 Litros / 400 ml

3 Litros / 150 ml

31 %

 Dog Torácica

2 Litros / 800 ml

2 Litros / 950 ml

5,3 %

 Controle

2 Litros / 450 ml

2 Litros / 300 ml

-  4,2 %

 

Configuração Torácica

Segue abaixo os gráficos referente à mensuração da configuração tóraco-abdominal pré e pós-técnicas, os valores são descritos em (cm).

1 – Configuração Axilar (inspiração)

Técnicas

Pré – inspiração

 Pós – inspiração

%

 1ª Costela

100,1 cm

101,4 cm

1,3 %

Coluna Torácica

93,5 cm

93,7 cm

0,2 %

 Controle

92 cm

90,2 cm

- 2%

 

2 – Configuração Xifóide (inspiração)

Técnicas

Pré – (inspiração)

 Pós – (inspiração)

 %

1ª Costela

89,5 cm

89,5 cm

0 %

Coluna Torácica

77,5 cm

79,0 cm

2,0 %

Controle

80,0 cm

80,3 cm

0,3 %

 

3- Configuração Axilar (expiração)

 Técnicas

 Pré – (expiração)

 Pós – (expiração)

 %

1ª Costela

97,5 cm

97,5 cm

0 %

Coluna Torácica

113,0 cm

112,5 cm

0,5 %

Controle

90,0 cm

90,2 cm

-  0,2 %

 

4- Configuração xifóide (expiração)

Técnicas

Pré – (expiração)

 Pós – (expiração)

 %

1ª Costela

70,5 cm

69,5 cm

1,5 %

Coluna Torácica

95,0 cm

93 cm

2,2 %

Controle

80,0 cm

80,2 cm

-  0,2 %

 

Conclusão

De acordo com o estudo realizado concluímos que ambas as técnicas apresentam efeitos positivos no que diz respeito a capacidade vital pulmonar. No entanto, notoriamente a manipulação da 1ª costela mostrou-se significante (31%) quando comparado com a manipulação da coluna torácica (5,3%).

Os fatores que podem ser determinantes na distância apresentada com as 2 técnicas podem ser relacionados com o gânglio estrelado que emitem fibras para o nervo frênico, que por sua vez inerva o músculo diafragma (músculo inspiratório), e suas inserções com as fibras anteriores e médias do músculo escaleno (músculo inspiratório). Ainda assim comunica-se diretamente com os pulmões pelos ligamentos (costo pleural, transverso pleural e vertebro pleural).

No que diz respeito à configuração tóraco-abdominal não tivemos modificações significativas, no entanto os resultados obtidos comprovam que as técnicas utilizadas diminuem as medidas durante a expiração, podendo assim fazer uma analogia com os resultados obtidos com o ventilômetro, ou seja, ambas as técnicas “relaxam” direta ou indiretamente os músculos inspiratórios, consequentemente o movimento inverso é reestabelecido (a lesão se esconde ao movimento).24optionминимальная сумма алиментов на ребенкабесплатная консультация адвокатареципиент это



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