Desmistificando as liberações corpo e mente

Escrito por: Prof° Ft. Marcel Alencar Andrade de Paula
Docente do IDOT

1. Introdução

Os processos de liberações emocionais através do corpo é um fenômeno observado por vários terapeutas, em diversas modalidades de tratamento principalmente as manuais, que possuem uma proximidade maior entre o terapeuta e o paciente. Muito relatos são observados entre, terapeutas manuais, fisioterapeutas, psicoterapeutas, Quiropatas, Osteopatas, Acupunturistas, Médicos, entre outros. Por muito tempo essas experiências foram pouco divulgadas e passavam por explicações esotéricas e místicas. Entretanto, após a década de 70, com os avanços da neurociência e da física moderna, muitos fenômenos observados por terapeutas corporais podem ser explicados. E assim, os modelos de tratamento que propõem uma integração corpo e mente são cada vez mais aceitos por terapeutas e pacientes, uma vez que, não são mais exclusividade dos místicos.

Alguns dos métodos mais conhecidos são: Terapia Morfoanalítica®, criada por Serge Peyrot; Experiência Somática criada pelo Ph.D. Peter A. Levine; Psicoterapia corporal Reichiana, criada por wilhelm Reich; Psych-K®, criado por Rob Williams; Instant Emotional Healing®, criada por Peter T. Lambrou e George J. Pratt; Liberação Somatoemcional®, criada por Jonh E. Upledger.

2. Liberação Somatoemocional®

Através de suas experiências clínicas, principalmente com autistas, o Osteopata americano Jonh E. Upledger, desenvolveu a Liberação Somatoemocional. Durante esse trabalho no final dos anos 70, Dr. J. E. Upledger percebeu que seus pacientes possuíam disfunções importantes da base do crânio (sincondrose esfenobasilar e esfenopetrosa), e durante uma descompressão dos ossos temporais aconteceu a primeira liberação corporal, que futuramente daria origem ao método de liberação somatoemocional. Após os trabalhos de liberações os pacientes experimentavam profundas modificações corporais e emocionais.

Por se aproximar mais precisamente da Osteopatia, o modelo apresentado por J. E. Upledger é muito estudado pelos Osteopatas. A base técnica central para esse modelo de tratamento é a permanente percepção do Movimento Respiratório Primário (M.R.P.) ou ritmo Crânio Sacral (R. C. S.), como citado por J. E. Upledger. Dentro desse modelo o MRP é usado para guiar o Terapeuta sobre alguns aspectos importante como: pensamentos, sentimentos ou posição corporal, que o paciente possa apresentar de significante durante o tratamento. O Terapeuta Facilitador irá perceber a presença de significado a partir da parada brusca do MRP.

3. Memórias Traumáticas

Segundo Jonh Upledger a energia traumática que acumula no corpo é isolada e armazenada para proteção do corpo formando um “cisto de energia”. Esses cistos quando liberados trazem a memória traumática do evento que foram gerados e o paciente pode relembrar em forma de pensamentos, sentimentos ou dramatizações.

A Neurociência do comportamento traz informações importantes a respeito desse tema. Todo nosso sistema sensorial é responsável para formação das memórias. Assim olfato, visão, audição, paladar e tato agem de forma integrada na formação de memórias. O sistema somestésico é o conjunto das modalidades perceptuais do tato, propriocepção, dor e sensação térmica.

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Figura 1: córtex somestésico

 

Esse sistema é integrado via tálamo no cérebro límbico e assim sensações podem ser percebidas, aprendidas, vinculadas a emoções e serem resgatadas através de movimentos ou toques sutis em partes específicas do corpo.

Cistos de energia são encontrados através da palpação fascial (aumento da densidade), diagnóstico térmico (calor) e perturbação do MRP. As fascias são extremamente inervadas e participam do sistema somestésico, desse modo podemos ter pontos específicos do corpo reativando memórias por meio de uma comunicação neurológica da fascia com o sistema límbico (via tálamo) e córtex somatosensorial.

4. Conscientização das memórias

Nossas memórias mais poderosas e influentes estão armazenadas na nossa mente subconsciente. Durante o período de extrema importância formativa entre a gestação e os seis anos de idade, os nossos programas fundamentais da vida foram adquiridos ao obervar, sentir e ouvir nossos primeiros professores:  pais, irmãos e comunidade local.

Essas memórias podem ser despertadas durante tratamentos corporais em que os pacientes estão em profundo estados de relaxamento e recebem toques sutis em diversas partes do corpo. Algumas experiências somáticas podem ser agradáveis como renascimentos, em que o cliente revive as sensações de estar nascendo novamente. Porém experiências traumáticas também podem emergir e despertar sentimentos como raiva, medo, irritabilidade, tristeza, entre outros. Entretanto a reativação dessas memórias e a conscientização pode trazer modificações de comportamento, atitudes e crenças sabotadoras.

Uma das formas de trazer a consciência memórias armazenadas é seguir o corpo e deixa-lo fazer o que ele quiser. Para conduzir uma sessão desse modo o terapeuta deve estar bastante atendo a sinais sutis, como movimentos corporais, livre de julgamento e conectado com o MRP o tempo todo. Algumas revivências podem apenas ter movimentos, outras imagens vividas, outras simbólicas, dependendo de cada paciente. Quando as liberações acompanham imagens verbalizadas pelos pacientes algumas ferramentas de comunicação são importantes para que essas imagens ganhem vida e a revivência aconteça de forma clara e tenha início, meio e fim .

5. Ferramentas de comunicação

5.1. Rapport

Rapport é uma palavra de origem francesa que significa relacionamento. Criar um rapport significa criar um relacionamento no qual as pessoas estão alinhadas e em harmonia, tanto verbal quanto não verbal. O Dr. Milton Erickson, criador a hipnose Ericksoniana, descreve como técnica de espelhamento a habilidade de acompanhar outra pessoa, alinhar-se a ela e sentir algo em comum. muitas pessoas fazem isso de forma inconsciente e não sabem como conseguem. Acompanhar a respiração do paciente é uma estratégia muito eficaz para se criar rapport. A conexão do terapeuta com ritmos mais sutis como o MRP pode favorecer esse processo de alinhamento.

5.2  Perguntas importantes

Quando durante um processo de tratamento existir uma parada do MRP de forma brusca isso significa que uma posição do corpo, um pensamento ou um sentimento é de extrema importância para o paciente. Desse modo algumas perguntas podem ser feitas como: como você está se sentindo? O que você pensou exatamente agora? Como você se sente nessa posição? Você gostaria de mudar de posição? Você pode se sentir curioso em saber mais sobre isso? me fale mais? o que mais?

Os terapeutas devem ficar atentos para apenas fazerem perguntas de estimule sensações e não a razão. Não deve perguntar ao paciente o porque ele está sentindo algo, essa tipo de pergunta estimula a razão e faz as imagens se desfazerem.

5.3 Recapitulação

Durante as liberações alguns paciente passam muito rápidos sobre aspectos importantes (imagens, pensamentos e posições) o terapeuta deverá estar atento para pedir ao paciente voltar a cena e repassar de forma mais detalhada. Falar um pouco mais sobre alguma sensação ou sentimento que posso ter emergido ou recolocar o corpo em determinada posição em que o MRP tenha parado.

5.4 Associado / Dissociado

A maioria das pessoas que trazem a consciência situações vividas de forma traumática, fazem de forma associada, ou seja, as imagens são produzidas como no mundo real, diante do olhar em primeira pessoa (eu). Quando o conteúdo for muito traumático e a dramatização atrapalha o processo de liberação, é importante dissociar o paciente da imagem. Alguns comandos podem ser pedidos como: Você consegue observar esse fato de cima e ver o que você está fazendo? Como se você estivesse no cinema veja isso através de um filme e me descreva a cena. Ou então: Você consegue ver essa cena em preto e branco?

Ver a cena de forma dissociada diminui a carga emocional e facilita o processo de conscientização das imagens de forma menos traumática.

5.5 Simbolismo e metáforas

o inconsciente pode acessar a conteúdos vividos em épocas em que a criança passa grande parte do seu dia misturando o mundo imaginário ao mundo real, quando isso acontece e é significativo (parada do MRP), o terapeuta deve seguir sem julgamento. A produção de imagens simbólicas podem ser usadas pelo inconsciente para que ele atinja a conscientização de conteúdos e só após alguns dias de reflexão fatos importantes podem ser esclarecidos. Esses mecanismo ainda não esclarecido pela ciência.

Durante o processo de conscientização a linguagem do paciente pode ser metafórica como: “sinto que rios de vida passam por mim agora.” De algum modo as metáforas favorecem o contato com imagens do inconsciente. Assim o terapeuta deve respeita-las.

6. Aprendizado da sessão

Algumas liberações possuem começo meio e fim, e não precisaram de uma releitura racional para aprendizado e ressignificação. Entretanto, a grande maioria dos conteúdos emocionais envolvidos precisam ser trabalhados após a sessão.

Iniciamos o processo de aprendizado perguntando para o paciente o que ele aprendeu com a sessão. Dentro desse modelo muitas ferramentas pode sem agregadas como: constelação familiar sistêmica, psicologia, ferramentas de ressignificação e reenquadramento.

6.1 Ressignificação

O terapeuta deverá ser capaz de mostrar para o paciente outros aspectos dos processos vividos que foram importantes. fazê-lo enxergar com uma consciência mais evoluída e dissociada emocionalmente para ressignificar o processo vivido.

6.2 Reenquadramento

Também é uma ferramenta de ressignificação em que o terapeuta explora um aspecto positivo, que muitas vezes é deixado de lado pelo paciente, e faz aumentar a importância desse fato até que ele preencha o cenário após a sessão como um aspecto valioso e positivo.

7. Conclusão

O trabalho com liberações corpo e mente, que despertam memórias traumáticas e emoções sempre gera receio e curiosidade pelos seus praticantes. Um tema já antigo porém atual deve ser sempre repensado para garantir sua atualização. Trazer processos desse tipo, tidos como esotéricos ou místicos, a luz da ciência permite aos seus praticantes percorrerem caminhos mais firmes.

 

Prof. Marcel A. Andrade de Paula

Tutor da cadeira de Liberação Corpo e Mente do I.D.O.T.

 

Referências

  1. Adler, S. P. Hipnose Ericksoniana: estratégias para uma comunicação efetiva. Ed. Qualitymark, 2013.
  2. Brennan B. A. Luz emergente: a jornada da cura pessoal. Ed. Cultrix, 2006.
  3. Bruce H. L., Bhaerman S. Evolução espontânea: o nosso futuro positivo. Ed. Lux-citania, 2009.
  4. Upledger J. E. Liberación somatoemocional, Ed. Pai do Tribo, 2010

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