Artigo de opinião: Focar a doença. Um erro filosófico que pode comprometer todo o tratamento

Escrito por: Danilo Ninello (artigo vencedor do prêmio de melhor artigo no Congresso 2015)

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Um osteopata deve ter claro em sua mente que ao avaliar um paciente ele não deve focar sua atenção na doença. Focar no parâmetro maior pode ser um erro filosófico que compromete todo o tratamento. Essa visão, muito presente na medicina tradicional faz com que todo cuidado de saúde seja feito no próprio local da doença e quando fazemos isso nos distanciamos da causa.

Andrew Taylor Still, após vinte e cinco anos de busca nos traz:

Comecei a me questionar se doenças eram a causa ou o efeito. Conclui, diferentemente da maioria da época que era apenas um efeito. Conclui que doenças como febre, difteria, disenteria, tifo, febre tifóide, reumatismo, ciática, cólica, doença no fígado na verdade não existem como doenças. Todas essas manifestações são apenas efeitos”.

 E se aprofunda na busca pela causa:

 “A causa é uma completa ou parcial falha de tecidos que conduzem os fluidos da vida. A causa está no desequilíbrio dos nervos, dos fluidos corporais, da não chegada de sangue, líquor ou fluido linfático”.

A. T. Still – A Filosofia e os princípios mecânicos da Osteopatia – 1902

 Na prática, um profissional que foca sua atenção no parâmetro maior esquece de procurar no corpo as alterações que levam a doença. De acordo com a visão osteopática, a doença é sempre o produto final de uma ou uma série de desequilíbrios que o corpo apresenta.

Essa visão, aliada a uma crença de que devemos lutar contra a doença faz com que a doença seja atacada, combatida e não entendida. Dai surgem remédios e diversas técnicas que visam eliminar a doença.

Essa visão faz surgir perguntas do tipo: O que eu faço para tratar artrose? Como trato uma hérnia de disco? Qual técnica é boa para síndrome do impacto?

Essas perguntas jamais podem ser respondidas pelo terapeuta sem que ele avalie cada caso de forma particular. Isso ocorre porque o caminho do tratamento é expressado sempre pelo paciente. É no paciente que encontraremos os elementos que são fundamentais para o diagnóstico e tratamento.

Mas então o que devemos sempre ter em mente? Quais são os elementos que nos guiam?

O Osteopata tem como elementos de diagnóstico e tratamento os parâmetros menores: disfunções, posições viciosas estáticas e alterações de densidade tecidual.

Eliminar uma disfunção significa permitir que a estrutura se reorganize, estimula a capacidade autocurativa do corpo levando nutrientes e retirando toxinas das regiões que estão em sofrimento. Quando corrigimos uma alteração estática ajudamos o corpo a equilibrar suas forças, evitando compressões, pressões, torções, cisalhamentos. Toda reorganização corporal faz com que a densidade tecidual se harmonize visto que um desequilíbrio gera uma densificação dos tecidos.

Sendo assim o que importa durante uma avaliação osteopática é encontrar articulações hipermóveis e hipomóveis, tecido conjuntivo (fáscias e ligamentos) curtos ou tensos, músculos hipertônicos, espasmados ou hipotônicos, nervos comprimidos, sensibilizados ou com perda de complascência, vísceras com alteração de mobilidade ou motilidade. Também investigamos se há no corpo algum desequilíbrio estático nos 3 planos do espaço: rotações, inclinações, anterioridades ou posterioridades. A percepção que surge após o toque nos dá a dimensão da densidade presente nos tecidos. Portanto tocar as estruturas se torna fundamental pois nos dá informação do funcionamento do tecido avaliado.

Sinais clínicos como restrição de movimento, dor, rigidez tecidual, alterações de temperatura, estrias, áreas com aumento de pequenos vasos, rubor servem de guia para nos indicar que áreas corporais estão com alteração de função.

Entendendo que esses elementos guiam a avaliação e tratamento eliminamos a ideia de que devemos tratar artrose, tendinite, bursite, etc. Nosso tratamento deve se basear em testes específicos que nos dão referenciais. O referencial não é um exame de imagem, não é uma alteração estrutural, não é a doença. Quanto a isso um osteopata pouco ou nada pode fazer. Por exemplo: O que um osteopata pode fazer para uma artrose? Ou para uma tendinite? A resposta é pouco porque não trocamos a “peça” que está com “defeito”, porque não atacamos a doença.

A resposta é tirar o foco dessa alteração da estrutura e procurar no corpo do paciente qual tecido está em disfunção, quais seus desequilíbrios estáticos e quais áreas tem densidade alterada.

Para isso nos dispomos de uma infinidade de testes que estabelecem uma forma de comunicação com o corpo. Através desses testes temos uma referencia, um parâmetro que deve ser seguido. Neste momento surge a técnica que é a ferramenta que vamos utilizar para equilibramos o corpo (eliminar disfunções, posições viciosas estáticas e alterações de densidade). A técnica osteopática não tem o intuito de reverter ou combater a doença. É um meio de permitir que o corpo aumente sua capacidade autocurativa.

 

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