Abordagem da osteopatia nas disfunções da lactação

Escrito por: Prof° Ft. Márcio Massahiko Ogido
Docente do IDOT

Introdução:

Grande parte das habilidades humanas se iniciam na infância. Nesta fase da vida é de extrema importância que se tenha um bom desenvolvimento físico, psíquico e emocional. Uma deficiência neste período pode causar graves conseqüências para o indivíduo e repercutir sobre o meio em que ele vive, e até intervir em toda a sociedade a que ele faz parte.

Diversos fatores podem comprometer a evolução de uma criança, dentre eles podemos destacar a falta da amamentação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é obrigatório o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos de vida. Estudos estatísticos realizados em vários países já comprovaram a eficiência da amamentação, sobre a diminuição da mortalidade infantil e redução das doenças durante a juventude e a vida adulta.

Os efeitos não se limitam apenas na estrutura física do bebê, mas também sobre o aspecto cognitivo e emocional, que podem ser carregados pelo resto da vida deste indivíduo.

Além de todos os resultados positivos para a criança, a mãe também se beneficia deste processo, pelo vínculo afetivo que se desenvolve entre mãe e filho. Ainda, a amamentação diminui os custos financeiros, evita uma nova gravidez e pode proteger contra o câncer de mama.

Anatomia das mamas femininas:

A palavra mamas, vem do latim mammae, e são glândulas acessórias para a reprodução em mulheres. Elas estão localizadas na parede anterior do tórax, sobre a tela subcutânea dos músculos peitoral maior e menor e uma parte sobre o serrátil anterior. Os limites mediais, laterais, superior e inferior são respectivamente: a borda lateral do esterno, linha axilar média, segunda costela e sexta costela.

Entre a mama e a fáscia peitoral existe uma espaço virtual composto por tecido conjuntivo frouxo, semelhante a uma bolsa, que contém uma pequena quantidade de gordura, para permitir uma certa mobilidade entre os tecidos adjacentes.

Importantes estruturas atuam para manter a mama suspensa, são os ligamentos suspensores da mama (Cooper), que são ligamentos cutâneos adaptados e estão fixadas à derme da pele sobrejacente e ajudam a sustentar os lóbulos da glândula mamária.

Sobre a região mais proeminente da mama encontramos a papila mamária e ao seu redor a aréola, que é uma área cutânea pigmentada circular, que possui grande quantidade de glândulas sebáceas (aumentada em quantidade durante a gravidez) para secretar uma substância oleosa e proteger a região contra atritos e irritação.

O leite que é produzido nos alvéolos, é drenado pelos ductos lactíferos, que se abrem nas papilas, No final de cada ducto uma quantidade mínima de leite pode ser acumulado dentro de uma pequena dilatação, que recebe o nome de seio lactífero. Esta estrutura é de extrema importância, pois quando o bebê começa a sugar a liberação destas gotículas estimulam o bebê a continuar mamando enquanto ocorre o reflexo de ejeção do leite, mediado por hormônios.

As papilas mamárias são proeminências cônicas ou cilíndricas situadas no centro das aréolas onde possuem fissuras para os ductos lactíferos, são desprovidos de gordura, pêlos e glândulas sudoríparas. Fibras musculares lisas circulares fazem parte da composição desta estrutura e a sua função é comprimir o ducto lactífero, durante a lactação e causar a ereção dos mamilos quando o bebê começa a sugar.

A vascularização das mamas é realizada pelos ramos mamários mediais dos ramos perfurantes e ramos intercostais anteriores da artéria torácica interna, originadas da artéria torácica interna. Artérias torácicas lateral e toracoacromial, que são ramos da artéira axilar. E ainda as artérias intercostais posteriores, derivadas da aorta torácica do 2º ao 4º espaço intercostal.

A inervação das mamas provém dos ramos cutâneos e laterais do 4º ao 6º nervos intercostais. Estes nervos conduzem fibras sensitivas para a pele da mama e fibras simpáticas para os vasos sanguíneos das mamas e músculo liso na pele e papilas sobrejacentes.

Desenvolvimento das mamas:

Dois hormônios tem papel fundamental no desenvolvimento das mamas: o estrógeno e a progesterona.

O estrógeno, no início da puberdade, estimula o crescimento da glândula mamária e a deposição de gordura. Durante a gravidez ela é liberada em grande concentração pela placenta. Nesse período ela estimula o crescimento e a ramificação dos ductos da mama e o aumento da quantidade de estroma no local.

A progesterona causa um crescimento adicional dos lóbulos, brotamento dos alvéolos e promove neles uma característica secretora alveolar. Ela atua em sinergismo com o estrógeno.

Fisiologia da lactação:

A produção de leite é, em média, 100 ml nos primeiros dias e à partir do quarto dia 600 ml podendo chegar até 800 ml. Normalmente a secreção do leite é maior do que o consumo. O principal hormônio responsável por este processo é a prolactina, que é produzida na hipófise anterior da mãe, ocorre um aumento gradativo da concentração do mesmo à partir da 5ª semana em até 10 à 20 vezes o seu valor normal.

Embora ocorra o aumento da produção da prolactina durante a gestação, os hormônios estrógeno e progesterona inibem a sua ação. Este fato pode ser evidenciado após o parto, em que ocorre uma queda brusca destes hormônios e posteriormente gera um aumento na produção de leite.

Após o nascimento a concentração de prolactina também cai a níveis normais, porém a cada mamada ela pode aumentar a sua concentração de 10 a 20 vezes. Esse aumento é gerado pelos sinais nervosos transmitidos do mamilo para o hipotálamo.

Um outro hormônio exerce um importante papel na lactação, a ocitocina. Este é responsável pela ejeção do leite ou a descida do leite. Ele atua da seguinte forma:

No estímulo da primeira mamada, os impulsos nervosos enviados dos mamilos pelos nervos somáticos, são direcionados para a medula até o hipotálamo onde promove a produção de ocitocina, junto com a prolactina. A ocitocina entra na corrente sanguínea e é transportado para as mamas, onde gera a contração das células mioepiteliais que circundam a parede externa dos alvéolos. A ativação destas fibras musculares espremem o leite dos alvéolos para os ductos, a uma pressão positiva de 10 a 20 mm/Hg.

É importante ressaltar que um estímulo em uma mama também repercute sobre a outra mama, confirmando esta resposta hormonal.

O fato de acarinhar ou ouvir a criança chorar pode também enviar ao hipotálamo um sinal emocional para causar a ejeção do leite.

Benefícios da amamentação para o bebê:

         – Diminui a mortalidade (por infecção, diarréia e doenças respiratórias);

         – Diminui o risco de alergias;

         – Diminui o risco de hipertensão, hipercolesterolemia e diabetes;

         – Reduz a chance de obesidade;

         – Efeito positivo sobre o desenvolvimento cognitivo;

         – Melhor desenvolvimento bucal;

Benefícios da amamentação para a mãe:

         – Evita uma nova gravidez;

         – Protege contra o câncer de mama;

         – Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e filho;

Características do leite materno:

Nas primeiras 48 horas podem ocorrer a presença de sangue devido ao rompimento dos vasos pelo súbito aumento da pressão dentro dos capilares. Em um período de aproximadamente 7 dias é liberado o colostro que contém mais proteínas do que o leite maduro.

A principal proteína do leite materno é a lactoalbumina, diferente do leite da vaca que é a caseína de difícil digestão.

A característica do leite anterior (liberado no início da mamada) apresenta um aspecto aquoso, rico em anticorpos e com alto teor de água.

O aspecto do leite no meio da mamada é de uma coloração branca e opaca, e apresenta uma maior concentração de caseína.

O leite liberado no final da mamada (leite posterior) é mais rico em gordura e energia, e sacia melhor a criança. É importante que o bebê mame até diminuir a sua quantidade na mama. Nesta fase, ela apresenta uma coloração amarelada pela presença do betacaroteno, um pigmento lipossolúvel.

Diversos anticorpos e outras células também fazem parte desta composição, IgA (atua contra microorganismos presentes nas superfícies das mucosas), IgM, IgG, Macrófagos, Neutrófilos, Linfócitos B e T, Lactoferrina, Lisosima e fator bífido (favorece o crescimento do lactobacilo bifidus, uma bactéria não patogênica que acidifica as fezes, dificultando a instalação de bactérias que causam a diarréia como a Shiguella, Salmonella e Escherichia colli).

Fatores que interferem na lactação:

         – Alterações anatômicas do mamilo:

         – Chupetas ou bicos artificiais:

         – Pouca frequência da amamentação:

         – Fármacos;

         – Estimulação simpática generalizada:

         – Ingurgitamento mamário:

Relato de série de casos:

-      CASO 1:

-      Nome: K.T.T.

-      Idade: 35 anos;

-      Idade da criança: 3 meses;

-      Qual motivo levou a considerar que a produção de leite estava deficiente?

         – R: “A bebê tentava mamar e não tinha leite suficiente…Precisei completar as mamadas com fórmula infantil”

- Tratamento:

                   – DOG Extensão bilateral das torácicas medias.

                   – Liffting dos parietais e frontal;

                   – Funcional para temporais e esfenóide;

                   – Liberação da foice do cérebro e tenda do cerebelo;

                   – Liberação do diafragma pélvico e cervicotorácico;

-      Quais foram as mudanças após o tratamento osteopático em relação à produção de leite?

         – R: “No mesmo dia ou no dia seguinte percebia aumento do volume das mamas e a bebê mamava até se sentir satisfeita… Após as sessões de osteopatia o volume de leite aumentava e aconteceu até de ‘vazar’ leite durante a noite e enquanto a bebê mamava…”

- CASO 2:

-      Nome: R.M.S.

-      Idade: 27 anos;

-      Idade da criança: 15 dias;

-      Qual motivo levou a considerar que a produção de leite estava deficiente?

         – R: “Percebia que ao fim do dia as mamas já não enchiam mais. Estava difícil de tirar a quantidade necessária de leite nos intervalos das mamadas para oferecer a minha filha no copinho, já que ela nasceu prematura e se cansava muito com a sucção não permitindo que ficasse satisfeita.

- Tratamento:

         – ERS C2 direita;

         – DOG Flexão Bilateral das torácicas médias;

         – Liffting dos parietais e frontal;

         – Funcional para temporais e esfenóide;

         – Liberação da foice do cérebro e tenda do cerebelo;

         – Liberação do diafragma cervicotorácico e hióideo;

         – Inibição dos suboccipitais;

-      Quais foram as mudanças após o tratamento osteopático em relação à produção de leite?

         – R: “Logo após o primeiro dia de tratamento senti as mamas encherem bem, e após 2 semanas tinha que tirar o leite antes da minha filha mamar porque ela chegava a se engasgar com a quantidade que saia a cada sugada. Depois disso inclusive me cadastrei como doadora do banco de leite!”

- CASO 3:

-      Nome: T.S.S.

-      Idade: 36 anos;

-      Idade da criança: 9 meses;

-      Qual motivo levou a considerar que a produção de leite estava deficiente?

         – R: “Diminuição no tempo de amamentação, sensação de mamas vazias e menor ganho de peso do bebê”

Tratamento:

                   – ERS C3;

                   – DOG extensão bilateral das torácicas médias;

                   – DOG flexão bilateral das torácicas altas;

                   – Liffting dos parietais e frontal;

                   – Funcional para temporais e esfenóide;

                   – Liberação da foice do cérebro e tenda do cerebelo;

                   – Liberação do diafragma cervicotorácico e hióideo;

                   – Inibição dos suboccipitais;

-      Quais foram as mudanças após o tratamento osteopático em relação à produção de leite?

-    R:”Aumento no tempo de amamentação e sensação de mamas cheias.”

CASO 4:

-      Nome: MBL

-      Idade: 36 anos;

-      Idade da criança: 3 meses;

-      Qual motivo levou a considerar que a produção de leite estava deficiente?

         – R: “Meu leite estava sendo insuficiente para ela, ela mamava demais”

-      Tratamento:

                   – Occipúcio posterior Direita;

                   – DOG extensão bilateral das torácicas médias;

                   – Sacro posterior unilateral Direita;

                   – Liffting dos parietais e frontal;

                   – Funcional para temporais e esfenóide;

                   – Liberação da foice do cérebro e tenda do cerebelo;

                   – Liberação do diafragma cervicotorácico e hióideo;

-      Quais foram as mudanças após o tratamento osteopático em relação à produção de leite?

         – R:”No meu caso teve uma pequena melhorada produção de leite, mas também mudei de cidade e não dei continuidade ao tratamento, fiz apenas 3 ou 4 sessões”

Conclusão:

O objetivo da osteopatia é restaurar a mobilidade dos tecidos e como conseqüência favorecer a homeostase e o processo de auto-cura. Não se deve afirmar que com este método foi possível aumentar a lactação, mas apenas eliminar as barreiras que estavam dificultando este processo. Caso as restrições liberadas pelo terapeuta tenham uma relação com os sintomas então os resultados serão evidenciados.

O presente estudo apresentou, de maneira qualitativa, um pequeno número de pacientes que se beneficiaram do tratamento. É de extrema importância que se realizem mais estudos quantitativos com metodologias de avaliação validadas e com um número maior de indivíduos. Espera-se que o resultado deste trabalho possa servir como um projeto piloto para vários outras pesquisas.

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